domingo, 17 de agosto de 2014

Travestis reclamam que não conseguem registrar roubos em delegacia de Niterói

A Praça São João é o endereço de um conflito que ganha força no Centro de Niterói. Há pouco mais de dois meses, uma onda de assaltos vem assolando as profissionais do sexo que, agora, reclamam da desatenção da polícia.
Segundo organizações ligadas à defesa dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT) na cidade, elas têm dificuldades para registrar assaltos e agressões.
— Só esse mês eu fui lá três vezes com travestis para registrar assaltos e nem fui atendida. Estão nos atacando, ameaçando com revólveres, e não temos defesa. Os carros da PM não param para nos ajudar e a Polícia Civil não registra nossas queixas — denuncia a presidente do Grupo Transdiversidade Niterói (GTN), Larissa Rocha.
Ela afirma que uma gangue formada por quatro homens passou a atuar na área. O bando assalta as travestis e, por vezes, até os clientes. O movimento tem caído e elas não sabem mais a quem recorrer.
— Para ser sincera, sei de meninas que estão escondendo até pedaços de pau para se defender. Os ladrões dão coronhadas nelas. Depois se misturam aos usuários de drogas e conseguem escapar — destaca Larissa.
Para o vice-presidente do Grupo Diversidade Niterói (GDN), Felipe Carvalho, o que acontece no local pode piorar:
— O nosso medo é que elas se juntem para fazer justiça, que se armem com facas, que lutem com as próprias mãos. Vemos isso em alguns lugares, mas nunca em Niterói. Não podemos deixar que vire uma praça de guerra.

Polícia Civil nega acusações
Sem os registros, a Polícia Militar não é alertada para reforçar o policiamento. De acordo com o 12°BPM (Niterói), o batalhão não sabe de agressões e assaltos a travestis. Apesar disso, a PM “está realizando uma operação conjunta com a prefeitura e a 76ª DP para coibir roubos no Centro de Niterói”.
Questionada, a Polícia Civil comentou um dos casos, do dia 13: “De acordo com o delegado Glaucio Paz, titular da 76ª DP, a vítima esteve na delegacia mas preferiu não registrar o caso. Ela pediu que um policial da delegacia a acompanhasse para prender o assaltante, mas quando o agente informou que solicitaria apoio da Polícia Militar, a vítima se recusou a aguardar”. Disse, ainda, que todos que procuram a delegacia registram os casos.
A Prefeitura de Niterói já tomou conhecimento das dificuldades enfrentadas pelas travestis.
— Estamos buscando um caminho jurídico para defendê-las, além de iniciar conversas com o poder público. Há dificuldade grande da força policial em não diferenciar o tratamento aos LGBT, principalmente travestis — avalia o subsecretário da Coordenadoria de Direitos Difusos, Renato Almada.

Fonte Jornal Extra
Por Wilson Mendes
Fotos Jorge Casagrande

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