quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Após beijo gay, jovens dizem ter sido expulsas de bar em Ribeirão Preto

Caso foi registrado na Polícia Civil e na Comissão da Diversidade da OAB.
Procurado, o bar negou que expulsão tenha sido motivada por homofobia.
Um casal de mulheres registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil e procurou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) afirmando ter sido vítima de homofobia em um bar de Ribeirão Preto (SP). As universitárias, de 22 e 23 anos, que preferem não ser identificadas, contaram que, após um beijo em público, em frente ao palco, foram abordadas por um segurança e expulsas do estabelecimento pelo gerente, no último domingo (25). “Eu me senti ameaçada”, afirma uma das jovens.
O Milwaukee American Bar, onde ocorreu o episódio, nega que tenha expulsado as clientes baseado em critérios de orientação sexual, mas que as garotas faziam parte de um grupo com "conduta inapropriada" e que tumultuava o ambiente.
Uma das estudantes relata que foi ao bar com a namorada para comemorar o aniversário de uma amiga. Ao final do show da banda que se apresentava, ela conta que foi surpreendida por um segurança ao trocar carinho com a outra jovem. "Ele me pegou pelo braço e disse que ali não era um bar gay, que ali não era local daquilo”, diz.
Ela garante que, em dez meses de relacionamento, nunca passou por uma situação parecida. “Fiquei com muito medo, porque eu nunca tinha passado por isso. No momento da abordagem, eu senti que estava com a minha integridade física e psicológica sendo ameaçada."
Inconformadas com a atitude do funcionário, elas contam que chamaram o gerente para conversar, mas que este apenas teria endossado a posição do segurança. “Eu perguntei por que outras pessoas no estabelecimento não estavam sendo repreendidas por estarem se beijando, mas ele não respondeu. Nós fomos expulsas e obrigadas a pagar a conta."
A universitária lembrou que outros clientes do bar reprovaram a atitude da administração. Segundo ela, um amigo, também gay, se manifestou contra a expulsão e também foi retirado à força do estabelecimento. No boletim de ocorrência registrado na delegacia, os três são apontados como vítimas de constrangimento ilegal.
Ações
Diante do registro da polícia, que não cita discriminação sexual, as jovens denunciaram o caso à Central de Direitos Humanos, à Comissão da Diversidade e Combate à Homofobia da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/SP) e ao Conselho Municipal em Atenção à Diversidade Sexual de Ribeirão Preto. “Nós queremos evidenciar que não foi apenas um constrangimento ilegal. Foi um crime de caráter homofóbico”, destacou.
As jovens estão sendo auxiliadas pela advogada Carolina Haram Colucci, presidente do Conselho municipal, principalmente em relação à denúncia formal à Secretaria de Segurança Pública.
"Vou encaminhar a denúncia para que sejam tomadas medidas administrativas dentro da secretaria e depois entrar com um pedido de danos morais. Eu tenho mais de dez testemunhas para arrolar no processo provando que elas foram expulsas e expostas a humilhação no bar. É uma luta tanto jurídica quando moral”, afirmou.
Com o processo, o casal espera conseguir uma retratação. "Queremos, pelo menos, um pedido de desculpa, mesmo que a gente não pretenda voltar lá nunca mais."
Milwaukee
Em nota, o Milwaukee American Bar informou que a situação foi consequência de uma conduta inapropriada de um grupo envolvendo as meninas e que estaria incomodando os demais clientes. "O que houve, de fato, foi uma situação gerada em razão de uma conduta inapropriada por um grupo de clientes, promovendo uma agitação além dos limites e que acabou por incomodar outros clientes da casa", informou o bar em comunicado enviado à imprensa em divulgado em redes sociais.
Diante disso, o estabelecimento relatou que o segurança pediu comportamento adequado, o que gerou um "enfrentamento desnecessário" com o grupo. Ainda segundo o bar, o episódio foi totalmente distorcido nas redes sociais e vinculado de forma inadequada a um caso de preconceito.
“O Milwaukee jamais praticou qualquer ato de advertência ou expulsão de clientes pautados em critérios de orientação sexual, origem, raça ou credo, sendo que somente em casos de abuso de comportamento que incomodem outros clientes é que se reserva ao direito de, excepcionalmente, advertir quem esteja tumultuando o ambiente e interferindo na diversão dos demais", afirmou.
Fonte G1 Ribeirão e Franca
Por Amanda Pioli

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