sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Artigo de conteúdo histórico muito interessante:"A valentia dos Gays"

Por David Coimbra
Lawrence da Arábia foi estuprado várias vezes ao ser preso pelos mouros, na I Guerra. Foi ele mesmo quem contou isso em seu mais importante livro, Os Sete Pilares da Sabedoria. Não diria que se trata de um clássico da literatura, mas a história é interessante, vale a pena ler.

Lawrence ficou traumatizado pela experiência, o que é compreensível. Se não chegava a ser misógino, é certo que não gostava de mulher, no sentido sexual do verbo. A vida inteira, reprimiu sua homossexualidade. Tornou-se um escritor, um aventureiro, um espião e, sobretudo, um militar brilhante, reconhecido por sua bravura, mas não se pode dizer que foi feliz emocionalmente.

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Alexandre Magno gostava de tudo, e aí continuo a usar o verbo gostar no sentido sexual. Não que fosse devasso. Não era. Ao contrário, comportava-se com recato surpreendente para a época em que viveu e o poder de que dispunha.

Alexandre nunca foi de violar mulheres em suas conquistas, como fez useira e vezeiramente o mongol Gengis Khan, 15 séculos mais tarde. Depois de tomar uma cidade, Gengis Khan escolhia as fêmeas mais bonitas do lugar e as possuía. Teve tantos filhos ilegítimos, que cientistas calculam haver mais de 15 milhões de seus descendentes andando hoje pelo planeta. Eu mesmo acho que sou descendente de Gengis Khan.

Alexandre, não. Alexandre seguia a ética de Aristóteles: era reservado em suas relações. Mas não nutria preconceitos. Amou mulheres, como a princesa persa Roxana. Amou homens, como seu melhor amigo, Heféstion. Amou transexuais, como o menino Bagoas.

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Bagoas era um eunuco persa. Aos 10 anos, ele foi submetido à castração total, operação rara, porque em geral redundava em morte. Na castração parcial, só os testículos eram extraídos. Então, muitos eunucos podiam ter ereção e acabavam se repoltreando com as concubinas dos haréns de que cuidavam.

Bagoas sobreviveu à castração total e foi treinado para se transformar em perito no que se chamava de "amor grego", e foi assim que encantou Alexandre.

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Alexandre foi um dos maiores heróis militares de todos os tempos, talvez o maior, inspirador de Júlio César, Napoleão e tantos outros. Alexandre talvez tenha inspirado até Lawrence da Arábia. Talvez.

O certo é que a sexualidade dúbia de Lawrence e a múltipla de Alexandre não lhes diminuiu a coragem ou o valor como soldados. Sempre houve militares homossexuais e há ainda. Por isso, não entendo a posição do Exército brasileiro contra a lei que pune a homofobia e prevê que opção sexual não é impeditivo para o ingresso no serviço público. O fato de um soldado ser gay pode não torná-lo mais valente, mas também não o tornará menos. A velha História está aí para provar.

Fonte ZH
Por David Coimbra
Imagem Apenas Ilustrativa,
Michael Sam,jogador de basquete
homossexual

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