domingo, 11 de janeiro de 2015

Índio morto por ser gay pode virar santo

Grupo luta pela canonização de Tibira, que foi executado a mando da Igreja no Maranhão por assumir sua opção sexual
Rio - Santa polêmica à vista. O Grupo Gay da Bahia (GGB) lançou uma campanha pela canonização do índio tupinambá Tibira, do Maranhão, que, conforme historiadores, foi perseguido por franceses, obedecendo ordens do frei capuchinho Yves d’Evreux, e executado de forma brutal, com uma bala de canhão, por ser homossexual, em 1614. Os postulantes, liderados pelo antropólogo, historiador e fundador do GGB, Luiz Mott, querem que Tibira seja reconhecido pela Igreja Católica como o primeiro mártir gay das Américas. A iniciativa não encontrou resistência no Rio: o cardeal-arcebispo Dom Orani João Tempesta diz que basta preencher os requesitos exigidos.

“Não conheço ainda a história de Tibira com profundidade, mas creio que todos têm o direito de postular a canonização de alguém, desde que os requisitos exigidos pelo Vaticano sejam preenchidos. Se o candidato viveu uma vida de santidade, o Evangelho em sua plenitude e colocou em prática a palavra de Deus, não há motivo que impeça a candidatura”, opina dom Orani.

Para Luiz Mott, a santificação de Tibira seria uma espécie de ‘mea culpa’ da Igreja, já que na época, a cristandade considerava a sodomia (sexo anal) “o mais torpe, sujo e desonesto pecado”.

“Para evitar eventuais futuros amantes do mesmo sexo, religiosos, mesmo sem autorização do Papa ou da inquisição, ordenavam a captura e morte sumária de gays. A morte de Tibira foi o primeiro crime homofóbico do país. O martírio dele é descrito detalhadamente pelo missionário d’Evreux em seu livro ‘História das Coisas Mais Memoráveis Acontecidas no Maranhão nos anos de 1613 e 1614’”, justifica o ativista.

Para reforçar a campanha, Luiz Mott publicou no mês passado o livro ‘São Tibira do Maranhão, Índio Gay Mártir’, junto com o cordel ‘Tibira do Maranhão: Santo Homossexual’, de autoria da cordelista feminista e professora do Bacharelado em Estudos de Gênero e Diversidade da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Salete Maria.

“Nosso objetivo é tornar a campanha mundial”, adianta Salete. Santinhos com a imagem e a história de Tibira serão fartamente divulgadas nas ruas e na internet.

Iniciativa é bandeira pela tolerância

O Grupo Gay da Bahia, com apoio de entidades LGBT, enviou ofício à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, solicitando a abertura do processo de canonização de Tibira. “Essa luta vai chamar a atenção para a violência contra homossexuais no Brasil, onde um gay é morto por dia”, lamenta Luis Mott. No Rio, representantes do Rio Sem Homofobia não se manifestaram em relação a Tibira. Na cidade, 12 casos de agressões contra gays são registrados a cada 24 horas.

Lauro Barretto, advogado e pesquisador especializado em beatificações, considera natural a busca pela santificação do índio. “Os franciscanos patrocinaram a canonização de Frei Galvão; as carmelitas querem ver Madre Maria José de Jesus santa; e os nordestinos, Padre Cícero. Compreensível que movimentos gays advoguem a causa de Tibira, ainda mais agora que o Papa Francisco prega tolerância da Igreja quanto à questão homossexual”, diz.
Fonte O Dia
Por FRANCISCO EDSON ALVES

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