domingo, 14 de agosto de 2016

Chamados de 'pai e papai', casal divide carinho dos filhos em Poá


Gabriel e Fernanda são filhos dos empresários Leandro e Ricardo de Poá.
Esta foi a melhor forma que pais acharam de serem chamados sem confusão.
Na casa dos irmãos Gabriel, de 4 anos e Fernanda, de 10 anos, tem pai e papai. No segundo domingo de agosto, a comemoração é dupla, assim como no Dia das Mães. Os irmãos foram adotados por um casal homossexual de Poá há um ano e meio e crescem aprendendo que nem toda família precisa ser composta por pai e mãe. A escola onde as crianças estudam entende as diferenças na rotina diária e também nas celebrações especiais, segundo a família.
Os irmãos são filhos do casal de empresários Ricardo e Leandro José Reis de Faria e Vieira. Ricardo sempre quis ser pai. “Era um sonho que eu sempre tive. Meu companheiro tinha mais receio, mas esperei até chegar o momento certo, em que ele estivesse preparado”, contou.
A família começou a ser construída em 2005, mas na época as leis brasileiras não reconheciam união civil entre casais homossexuais. Em 2008, Ricardo e Leandro procuraram um advogado e, em um documento particular, registraram a união estável.
Em 2010, o documento pôde ser registrado no cartório como união estável. O casamento civil aconteceu em 2013, depois que o Brasil estabeleceu a Resolução nº 175, que proibia Convivência
Eles definem como "mágica" a forma que suas vidas se cruzaram com as de Gabriel e Fernanda. "Eu sempre quis ser pai e falava pra minha mãe que queria chamar meu filho de Gabriel. Quando fazia minhas orações pensava 'Deus, se vira. Quero um filho chamado Gabriel'. E ele me deu. Quando fizemos a ação solidária no abrigo, o Gabriel tinha pouco mais de um ano, e era uma criança bem traumatizada, quase não falava e não ia no colo de ninguém. Ele veio no nosso colo. Quando as funcionárias do abrigo viram gritaram 'Olha lá, o Gabriel gostou deles'. Ouvi o nome dele, e sabia que ele era o meu filho", detalha Ricardo.os cartórios de recusar a celebração de casamentos civis de casais do mesmo sexo ou deixar de converter em casamento a união estável homoafetiva.
A essa altura, o casal já estava na fila de adoção há um ano. “2012 foi o ano que paramos de tomar remédio e decidimos engravidar”, brinca Ricardo. Em 2013 o casal conheceu informalmente os seus filhos. “Foi durante uma ação solidária do Dia das Crianças que fizemos em um abrigo. Conhecemos o Gabriel, que na época tinha 2 anos e a Fernanda 8 anos. Eles se encaixavam perfeitamente na ficha de perfil que preenchemos, e eram mais de 10 folhas”.
Na época, os irmãos ainda não estavam disponíveis para adoção, porque passavam pelo processo de destituição familiar dos pais biológicos. “Nós tentamos conseguir a guarda deles, mas o juiz de Itaquaquecetuba na época decidiu que o processo de adoção deveria correr da forma normal.”
Algum tempo depois, os irmãos entraram na fila. Por coincidência ou não, o casal de Poá estava à espera, no 1º lugar. “Eu acredito em providência divina, porque nenhuma outra ficha se encaixava tão bem com o perfil deles como a nossa. Havia um segundo casal, de Tremembé, que também poderia adotá-los, mas eles já eram nossos filhos”, disse Ricardo.
Foi iniciado, então, o processo de adoção, e o casal conseguiu a guarda provisória das crianças, que se mudaram em novembro de 2014. A guarda se tornou definitiva em março do ano passado.

Convivência
Eles definem como "mágica" a forma que suas vidas se cruzaram com as de Gabriel e Fernanda. "Eu sempre quis ser pai e falava pra minha mãe que queria chamar meu filho de Gabriel. Quando fazia minhas orações pensava 'Deus, se vira. Quero um filho chamado Gabriel'. E ele me deu. Quando fizemos a ação solidária no abrigo, o Gabriel tinha pouco mais de um ano, e era uma criança bem traumatizada, quase não falava e não ia no colo de ninguém. Ele veio no nosso colo. Quando as funcionárias do abrigo viram gritaram 'Olha lá, o Gabriel gostou deles'. Ouvi o nome dele, e sabia que ele era o meu filho", detalha Ricardo.
Ter uma família com dois pais foi tranquilo para o menino. "Como ele ainda era um bebê quando chegou, a adaptação foi natural. Ele nem estranha", disse Ricardo.
O processo foi mais lento com Fernanda, que tinha 8 anos na época da adoção e sentia falta da presença feminina de uma mãe. "Nós fizemos terapias juntos e sempre conversamos que nessa família nunca haverá uma mãe. Por mais que eu e o Leandro cuidemos de tudo, ela pode sentir falta. No começo ela tinha certa resistência, mas hoje mudou completamente. Somos próximos, ela aceita nosso amor e carinho. Somos felizes".
Pai e papai
Para conviver com dois pais, a família teve que adaptar algumas situações cotidianas. A primeira delas, foi definir a forma como seriam chamados pelos filhos. "Eu não queria que fosse pai Léo e pai Ricardo, porque sempre chamei minha mãe de 'mãe' e só".
Então, a família definiu que Leandro é o 'pai' e Ricardo é o 'papai'. "É engraçado porque às vezes querem falar comigo e dizem pro Gabriel 'chame o seu pai'. Ele vai e chama o Léo", brincou.

O casal também fez adaptações na escola das crianças, por exemplo. "Quando eles foram matriculados conversamos com a diretora, coordenadora e professora de que algumas coisas teriam que mudar para haver essa inclusão. Então elas pararam usar termos como 'vamos mandar bilhetes para as mães', por exemplo. E isso é um detalhe que faz muita diferença. No primeiro Dia das Mães, a escola nos procurou para perguntar como gostaríamos de lidar com a data. Escolhemos comemorar, porque ser mãe e ser pai vai muito além do corpo. Comemoramos com eles. A escola até nos surpreendeu. Mandaram dois presentes e fomos homenageados na festa da escola."
Visto em G1 Mogi das Cruzes e Suzano
Por Jamile Santana
Fotos:Ricardo Reis/Arquivo Pessoal

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