segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Patrocínio e publicidade ainda são desafios para atletas e youtubers gays

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Sim, os gays arrasam (digo, lacram) seja no YouTube ou nos Jogos Olímpicos. Universos que parecem muito diferentes mas que enfrentam dificuldades similares. De um lado, o conservadorismo do mercado publicitário em investir em um canal dedicado ao público LGBT. Do outro, patrocinadores que ainda inibem os esportistas a saírem do armário com a ameaça de uma suposta quebra de contrato. É o que acham os criadores do canal Põe na Roda, um dos maiores canais gays do Brasil. O UOL Tecnologia conversou com eles sobre o universo gay, e, claro, as olimpíadas.

"Felizmente, esse cenário vem mudando significativamente nos últimos anos", comemora Pedro HMC, roteirista e criador do canal. O youtuber diz que "essa foi a Olimpíada mais gay da história".

Em quatro anos, o número de atletas LGBTs assumidos nos Jogos Olímpicos quase que dobrou e passou de 23, em Londres, para ao menos 42, no Rio. "Eu me pergunto se na Olimpíada de 2020 vai ter algum atleta hetero?", brinca HMC, que relaciona o recorde à mudança rápida de um mundo cada vez mais tolerante e diverso. "Isso significa que as pessoas estão lidando melhor com a sua sexualidade e com menos medo de serem elas mesmos."

"Eu fico muito feliz que isso esteja acontecendo no Brasil, que lá fora tem uma imagem de ser um país tolerante e diverso por sua mistura maluca, mas na verdade não é. O Brasil é o país que mais mata gays e transexuais no mundo", acrescenta Nelson Sheep, radialista e integrante do Põe na Roda. Ele cita a estimativa de que a cada 28 horas um homossexual ou transexual morre no país.

Dificuldades como youtubers gays
Com vídeos bem-humorados e informativos sobre a realidade dos LGBTs, o canal conta com mais 446 mil inscritos e 48 milhões de visualizações. A publicação com mais views chega a quase 2 milhões. "Quando eu criei o Põe na Roda não tinha canal gay brasileiro no YouTube, tinha alguns gringos, mas sempre me perguntava: quando vai ter um conteúdo feito para esse público na plataforma? Até que um dia eu falei: 'se ninguém está fazendo, acho que eu vou fazer'", conta HMC.

O sucesso foi quase que espontâneo. O primeiro vídeo alcançou em um único dia 16 mil visualizações. "Algo que não esperávamos, mas que mostra como esse público era carente de um conteúdo que o representasse", acrescenta o roteirista, que se diz realizado por ajudar muitos gays a se aceitarem, além de contribuir para minimizar o preconceito. "A convivência acaba com o preconceito e mostrar como a gente vive é uma boa maneira de acabar com a homofobia no Brasil", completa o parceiro de canal e de vida Sheep.

Mas apesar do enorme sucesso com o público LGBT, o canal enfrenta dificuldades para alcançar apoio publicitário. Segundo ele, há basicamente duas formas de ganhar dinheiro com o Youtube: uma delas é o retorno baseado nas visualizações dos vídeos, que não é tão significativo; e a outra é a publicidade direta e/ou indireta. "É nesse aspecto que se ganha mais dinheiro, mas, por ser um canal gay, enfrentamos bem mais resistência", afirma HMC, que diz já ter notado uma diferença significativa nos últimos dois anos.

Ainda assim o youtuber confessa que --se precisasse-- conseguiria sobreviver e pagar as suas contas única e exclusivamente com o canal. Mas nem HMC e nem Sheep largaram os seus respectivos trabalhos para essa dedicação exclusiva. "Gostamos de fazer o que fazemos e ainda conseguimos conciliar as atividades", afirma o roteirista. "Vale lembrar que ter um canal no YouTube não significa ter apenas lucro, também é preciso investir em equipamentos, por exemplo, porque qualidade é algo que vem sendo cada vez mais cobrada."

Por Larissa Leiros Baroni
Do UOL, em São Paulo

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