quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Casal gay recebe carta exigindo que saiam de vila: 'gente de cor' e 'afeminada'

Mensagem anônima foi deixada na janela da casa onde vivem, em Vicente de Carvalho. Casal tentou registrar queixa na 27ª DP (Vicente de Carvalho).
Maycon e Júnior receberam ameaças racistas e homofóbicas em carta deixada na janela do casal, no Rio (Foto: Júnior Santos/ Arquivo pessoal)
O casal formado pelo professor Júnior Santos, de 24 anos, e o servidor público Maycon Aguiar, de 23 anos, recebeu uma carta deixada na janela da casa onde vive, em Vicente de Carvalho, na Zona Norte do Rio, na madrugada do dia de São Sebastião, sexta-feira (20). A mensagem preconceituosa os ofendia em relação à sexualidade e à raça.
“Gente de cor e ainda por cima afeminada não está no nível dos moram [sic] aqui por favor se retirem!!!!”, dizia um dos trechos do texto.
Em entrevista ao G1, Júnior conta que o casal vive na casa há um mês, conhece poucos vizinhos e nunca teve problemas com nenhum deles. A carta foi encontrada por Maycon nas folhas de uma planta que fica na janela da casa. Júnior estava fora da cidade, visitando a mãe.
“A gente sabe que, no Brasil, a homofobia não é um crime. Mas sabemos que, quando envolve um caso de ódio, não só eu, que sou o negro e me senti humilhado, injuriado, porque não tenho vergonha disso, quanto as outras duas famílias que são negras e vivem na vila se colocaram ao meu lado”, explicou Júnior.
O casal consultou um advogado e tentou prestar queixa na 27ªDP (Vicente de Carvalho), acompanhado por vizinhos, mas não conseguiu fazer o registro do crime de ameaça e racismo, pois os policiais civis estão em greve. Orientados pelo único profissional que se encontrava na delegacia, eles receberam a orientação de “deixar o caso para lá”.
“Ele disse que, se fosse com ele, teria rasgado a carta e deixado para lá, porque não tem meu nome e nem o de quem enviou. Embora tenha sido colocado na minha janela”, explicou Júnior.
O funcionário teria ainda dado a orientação de que os rapazes poderiam abrir uma petição ao delegado para fazer o registro do caso, mas que provavelmente seria negada.
Júnior e Maycon moram juntos há cinco anos, desde que começaram a namorar, quando cursavam o curso de Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Eles se mudaram para o imóvel há um mês, no fim de dezembro. A nova casa contava com uma vaga e abriria a eles a oportunidade de conquistar mais um sonho da vida em comum: comprar um carro.
Júnior é professor de português e espanhol em escolas das redes pública e privada do Rio, além de cursar doutorado em linguística na UFRJ. Já Maycon é servidor público e cursa mestrado em linguística na mesma instituição, e filosofia, na Uerj.
O caso abalou emocionalmente os rapazes, que contam que tem medo de futuras ameaças e que possam sofrer algum tipo de violência.
“Eu também me sinto aviltado. Porque eu cumpro com as minhas obrigações e débitos. Eu estou em dia e não vejo motivo para esse tipo de coisa acontecer, já que vivemos a nossa vida sem incomodar ninguém. Quero uma investigação para saber quem colocou esse papel na minha janela. Para que ela pague pelo que ela escreveu. Por mais que isso possa demorar, não vou desistir”, destacou Júnior.
O G1 procurou a Polícia Civil para saber sobre o registro da ocorrência, mas até o fechamento desta matéria não obtivemos resposta.
Carta com ameaças recebida por casal gay que vive em Vicente de Carvalho, no Rio (Foto: Júnior Santos/ Arquivo pessoal

Fonte G1 Rio
Por Cristina Boeckel

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